Quando comecei a pensar em ter um blog, fiquei bastante empolgado com a idéia, já que ia fazer uma coisa que considerava a melhor possível: um trabalho no qual o cliente era eu mesmo. Isso parecia perfeito, já que nunca tinha realmente parado para elaborar um projeto pessoal um pouco mais complexo. Logo percebi que foi uma das coisas mais difíceis que eu já me propus a fazer. O processo, que deveria ser muito mais ágil e simples (já que as aprovações e os conceitos eram todos feitos por mim) se mostrou extremamente complexo e até mesmo chato algumas horas. Percebi que eu consigo ser incrivelmente crítico com meu próprio trabalho e que por mais que esquematizasse o projeto, ele acabava não sendo bem aquilo que eu tinha em mente. Pra isso utilizei alguns processos criativos (painéis semânticos, brainstorming) para tentar chegar a uma unidade visual que tivesse a ver com o conceito que eu havia definido. Quando cheguei a um “resultado” que definia o que deveria ser o meu blog, não gostei. Havia algo que me incomodava, mas não sabia o que. Isso me fez repensar a relação que tive com meus clientes até agora, como foi a interação e a participação deles nos projetos que executei, principalmente com relação a aprovações, tomadas de briefing e alterações de projeto, pois se eu me permito ser tão crítico em relação a um trabalho próprio, porque o cliente não pode fazer o mesmo?!
Porque algumas vezes o que parece tão óbvio e certo para nós, e que, muitas vezes, tomamos por verdade absoluta e incondicional é simplesmente rejeitado pelo cliente, frequentemente por motivos que são tão subjetivos e alheios que não somos capazes de entender, ocasionando aqueles efeitos colaterais como conflito, frustração e a famosa tendência de soltar a frase: “cliente é tudo igual”.
Quando comecei a trabalhar com design de interfaces, conheci uma coisa que mudou um pouco a maneira como eu vejo essa relação profissional x cliente. Os métodos ágeis de desenvolvimento e gerenciamento de projeto têm uma forma muito interessante de trazer o cliente para dentro do projeto e da criação. Não tenho conhecimento de materiais que falem sobre a relação específica do design dentro desse processo ágil, mas independente disso, o que pude perceber pelo material que pesquisei até hoje, é que trazer o cliente para perto do processo (tanto com relação ao design quanto ao desenvolvimento), mostrar a ele as dificuldades, as etapas e os processos envolvidos, aumenta muito a chance de termos um produto mais eficiente, um cliente satisfeito, um processo mais rápido e a redução das “refações”. Sobre o tema existem diversos textos e livros muito bons, vários indicados pelo amigo Rafael Caceres, mas creio que nenhum tenha foco no design especificamente. De repente é uma idéia para algum artigo ou dissertação.
Dentro do design gráfico existem diversas metodologias, que abordam de maneiras diferentes a relação com o cliente dentro de um processo, mas acredito que isso possa ser explorado um pouco melhor, principalmente quando temos que levar em conta quem é o nosso cliente realmente. Se é o cara que está pagando para o serviço ser realizado, ou se é o usuário final do produto ou do sistema. Mas esse já é outro assunto…
Se alguém por ai tiver mais experiências de sucesso ou de desastre com clientes e o porque, falaê!

4 Comentários
Cara, uma coisa que eu vejo em trabalhos de designers é a falta de entendimento do negócio do cliente. Ele pode não entender nada de design, mas entende tudo do negócio dele, e isso deve ser levado em conta. Muitas vezes isso é deixado de lado no briefing, e o designer acaba executando seu trabalho da maneira que acha melhor, esquecendo que antes de tudo, quem conhece o usuário final, é o cliente.
Enfim, só acho que o cliente tem muito a contribuir, e não é o vilão que a maioria dos designers pensa.
Belo texto, parabéns.
Obrigado pelo comentário Silveira! O primeiro por aqui
As vezes é extremamente difícil ter a humildade de rever seus próprios conceitos e aceitar a opinião de alguém que você julga não entender nada do processo. Quando na verdade é muito mais interessante fazer do cliente um aliado, um parceiro. Lógico que falar é sempre fácil demais e quem já passou por alguma situação parecida sabe que é quase um dom ter paciência de acompanhar junto ao cliente as aprovações…
Um cliente participativo pode ser um problema ou uma ajuda importante, só depende da liberdade que ele vai ter no processo de criação.
Se a participação do cliente é pontual, e em momentos-chave, o resultado é sempre bacana, mas se ele se achar que tem liberdade para te ligar as 3h da manhã de um domingo, avisando que tem uma sugestão de mudança do trabalho, problemas à vista!
Lidar com essa liberdade de participação é um desafio constante.
…
parabéns pelo blog e pelos trabalhos.
Abraço
Olá Ítalo. Com certeza essa participação deve ter sim limites e deve seguir um certo protocolo. O que acredito é que quem pode e deve definir esse nível de participação e como ela vai acontecer é o designer, que muitas vezes deve ter um papel de educador do processo. Além de um bom argumento na apresentação de um projeto, o designer deve constantemente se preocupar em mostrar ao seu cliente, a complexidade e as etapas de projetação de um produto, seja ele qual for. Isso, acredito, é essencial principalmente em uma realidade como a do mercado brasileiro, que ainda não compreende e valoriza a importância e a abrangência do design.
Obrigado pelo comentário